Após auge e quase 200 shows, artista anunciou 'descanso' em 7 de janeiro de 2018. Desde então, é alvo de rumores e mantém agenda vazia.

Em 7 de janeiro de 2018, Tiago Iorc deixou seu último rastro nas redes sociais. É uma foto antiga, acompanhada de um texto em que reflete sobre seu estado de espírito após dez anos de carreira na música. Lá no fim, em um trecho discreto, diz:

“Concluí que um descanso vai me fazer bem.”

 

 

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Conheci aquele guri ali, sentado, enquanto ele gravava seu primeiro videoclipe. Lembro dele todo cheio de medos, engolido por timidez, mas firme de certezas. Ele não fazia ideia de nada, mas sabia exatamente tudo o que queria. Olhando pra essa foto, vejo ele me reconhecendo. Ele sempre soube que me encontraria aqui. Enquanto digito, penso no quanto a audacidade daquele pirralho propulsionou minha vida. Dez anos que vivi. Dez anos que me viveram. Se foram: intensos como um piscar de olhos e efêmeros como a eternidade. Parece que foi ontem. Parece que foi tanto. Quanta alegria! Pelo caminho, vi ficarem os medos, as certezas também. Quanta saudade… Hoje me vi sem medo e senti saudade. Ou teria eu sentido medo de não sentir medo? Hoje me vi sem certezas e me senti velho. Somente o velho não consegue ter certeza do que é sonho. Concluí que um descanso vai me fazer bem. Me ausentar dessa nossa vida instagrâmica que nos consome e me permitir viver sem calcular tanto, me descobrir em novos medos, voltar a ter certeza do que é improvável. É só pra isso que sigo nessa vida. Sei que devo isso àquele Tiago ali, de 2007. E a vocês também. Todo meu amor Até já já ❤️

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O descanso já dura um ano, completado nesta segunda-feira (7). Fãs órfãos daquele coque samurai se perguntam: cadê Tiago Iorc? Seria ele o Belchior desta geração?

Na internet, há quem tenha dito que o cantor passou uma temporada nos Estados Unidos, onde morou na adolescência. Também há boatos de que ele estaria vivendo em uma praia na Bahia. Nada confirmado.

Procurado pelo G1, seu empresário Felipe Simas diz apenas que não há compromissos agendados a curto prazo – e nega dar qualquer outro detalhe.

Tiago Iorc em hotel em Prado, na Bahia, em janeiro de 2018 - antes de sumir de vez — Foto: Reprodução/Instagram/Tiago Iorc
Tiago Iorc em hotel em Prado, na Bahia, em janeiro de 2018 – antes de sumir de vez — Foto: Reprodução/Instagram/Tiago Iorc

Chega de trocar likes!

Em seu texto de “despedida”, Tiago deu indícios de que estava exausto do exibicionismo das redes sociais. Disse que queria se ausentar da “vida instagrâmica que nos consome”. Uma ironia com o nome de seu último disco, “Troco likes”, de 2015.

Cada passo do cantor era seguido por 2,7 milhões de seguidores, só no Instagram. No auge da exposição, sua vida pessoal – especialmente a amorosa – gerava um rumor atrás do outro.

Costumava brincar com a situação. Com a amiga Tatá Werneck, chegou a forjar um romance nunca oficializado.

Na música, “Troco likes” marcou uma mudança no repertório de Tiago, cuja maioria das letras até então era em inglês (por influência da criação fora do Brasil). O disco lhe rendeu duas indicações ao Grammy Latino e, desde seu lançamento, o cantor fez quase 200 shows.

O trabalho também inaugurou a fase mais bem-sucedida de Tiago. Dados do Google mostram que o pico de pesquisas pelo nome do artista no YouTube foi no ano de lançamento do álbum.

A partir de então, ele se manteve bem posicionado até meados de 2017, quando o interesse começou a cair.

Gráfico do Google mostra curva de crescimento das buscas pelo nome de Tiago Iorc no YouTube, desde janeiro de 2014 — Foto: Reprodução/Google Trends

Gráfico do Google mostra curva de crescimento das buscas pelo nome de Tiago Iorc no YouTube, desde janeiro de 2014 — Foto: Reprodução/Google Trends

Mesmo após o auge, Tiago era um dos raros nomes da MPB que conseguiam furar o bloqueio do funk e do sertanejo nas listas de músicas mais ouvidas do país – em 2017, sua “Amei te ver” entrou no top 50 das rádios brasileiras.

Pouco antes, ele produziu o disco de estreia do duo Anavitória, que trilhou caminho parecido. Em uma das entrevistas ao G1, o cantor brasiliense de 33 anos avaliou essa leva de artistas:

“O que diferencia o nosso trabalho é mais o retorno da canção do que uma caracterização com gênero. É fazer música com melodia, letra.”

Antes de sumir, ele viajou em turnê com Milton Nascimento, com quem compartilhou seu último trabalho, a música “Mais bonito não há”, de outubro de 2017.

A letra, composta em parceria pelos dois, fala de dar valor a coisas simples, como “olhar de criança no sol da manhã”, “abraço sereno” e “sabor de perdão”. Coincidência ou não?