Retrato romantizado do povo pobre que vive nos subúrbios do Brasil, a canção Gente humilde (Garoto, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, 1969) adquire conotação política e outra perspectiva geográfica ao ser gravada em Berlim por Luiza Meiodavila, cantora e compositora paulistana – nascida com o nome de Luiza Maria Mitteldorf – que migrou para a capital da Alemanha em 2017.

Gente humilde é a única regravação dentre as sete músicas de (des)conexão, disco autoral que será lançado em 16 de novembro pela artista. Antes, em 2 de novembro, Luiza dispara o single Politizado, reflexão sobre o cenário social do Brasil, feita a partir de ritmo afro-brasileiro com toques do rock e de neo-soul.

Em (des)conexão, disco que dá continuidade à obra fonográfica que desabrochou há três anos com a edição do EP Florescer (2015) e que já rendeu três singles editados entre 2015 e 2017, Luiza mistura rock, pop e música brasileira com a tal influência do jazz.

Capa do single 'Politizado', de Luiza Meiodavila — Foto: Arte de Karen Hofstetter
Capa do single ‘Politizado’, de Luiza Meiodavila — Foto: Arte de Karen Hofstetter

O disco foi produzido por Axel Reinemer e Zé Victor Torelli. A dupla de produtores deu forma a quatro músicas autorais compostas em português (Mar de devaneios, Multidão vazia e Dava para saber, além da já mencionada Politizado) e duas escritas em inglês (Fuel e Naked).

É com o toque de power trio – formado pelo brasileiro Zé Victor Torelli na guitarra, o italiano Carmelo Leotta no baixo e o belga Yannick Ballmann na bateria – que Luiza Meiodavila gravou (des)conexão, trabalho resultante da opção por residir em Berlim após o término da turnê de Florescer, disco pautado pela fusão de música brasileira e jazz.

Em tempo: Meiodavila é livre adaptação de Mitteldorf, sobrenome de batismo da artista.