As fitas cassetes já começam a circular com regularidade no mercado fonográfico brasileiro por conta da decisão do executivo João Augusto de acionar a Polysom – até então restrita à produção de LPs – para fabricar cassetes em escala industrial. Essa produção já está sendo efetivada na medida da demanda ainda pequena por um produto que estava fora de linha até voltar à cena no universo pop em 2016.

Cassetes tendem a ser mimos para apaixonados fãs de artistas e para colecionadores de discos ainda apegados aos formatos físicos em plena era digital. Nesse sentido, o cassete é mais um formato secundário como o LP e o CD. Cabe repetir: um mimo!

De todo modo, apesar do charme vintage dessas fitas para quem conheceu e viveu o mundo do disco nos anos 1970 e 1980, a tendência é que os cassetes circulem em nichos bem mais restritos do que os dos LPs. Simplesmente pelo fato de que cassetes nunca tiveram o apelo visual dos LPs.

Edição em fita cassete de disco de Nando Reis (Foto: Divulgação / Polysom)
Edição em fita cassete de disco de Nando Reis (Foto: Divulgação / Polysom)

Há quem cultue o som do vinil pela qualidade técnica que, embora inferior ao som digital do CD, tem frequência particular de graves e agudos que soam mais sedutores aos ouvidos de quem prefere o LP ao CD. Mas o culto aos LPs é fruto sobretudo da sensação tátil de manusear a capa de álbum em tamanho condizente com a importância da arte gráfica do disco – sensação que o CD diluiu pelo tamanho reduzido das bolachinhas prateadas. Manusear a capa e o encarte de um álbum em formato de LP tem poder de sedução que a fita cassete, assim como o CD, jamais proporcionará ao ouvinte do disco.

Em tempos idos, o cassete levava vantagem sobre o LP porque podia ser ouvido no carro. Na era digital, em que a música está ao alcance de um toque no celular, esse antigo poder do cassete já inexiste.

Resta somente o apelo de querer ter o disco de determinado artista em todos os formatos. Há fãs que querem isso – e é para esse público que a produção de fitas cassete deverá ser direcionada no mercado fonográfico mundial. Em que pese todo o charme vintage, é pouco provável que o revival co cassete aconteça na proporção inesperada da retomada da produção de LPs.