Grupo paulista se integra com banda colombiana no palco Sunset e mostra cacife para ocupar a linha de frente do universo pop brasileiro nos anos 2020.

Rock in Rio 2019 – Não chegou a ser surpresa a consagração da Francisco, El Hombre diante do público entusiasmado que assistiu ao explosivo show da banda paulista no palco Sunset, do Rock in Rio 2019, na tarde de quinta-feira, 3 de outubro.

Banda integrado por dois irmãos mexicanos naturalizados brasileiros, Mateo Piracés-Ugarte e Sebastián Piracés-Ugarte, Francisco, El Hombre já vinha se impondo na cena nacional desde 2016, ano em que lançou o primeiro álbum, Soltasbruxa.

Deste disco, vieram as músicas – Bolsonada (2016), Calor da rua (2016) e Tá com dólar, tá com Deus (2016) – que incendiaram a plateia na parte final da apresentação da banda, amplificando o caráter político de show que motivou protestos contra o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Nesse bloco final, o protagonismo foi do carismático vocalista Mateo Piracés-Ugarte. Repetindo a iniciativa de outros cantores no festival, Mateo pediu para o público abrir uma roda, desceu do palco e se misturou com a plateia. Alguns números antes, a vocalista Juliana Strassacapa assumira o microfone para cantar Triste, louca ou má (2016), outro sucesso do álbum Soltasbruxa.

Em tom folk, Juliana deu o recado feminista da letra em canto reforçado pelo coro do público. Ao longo da canção, o telão projetou imagens de mulheres como Marielle Franco (1979 – 2018), Dilma Rousseff, Luiza Erundina, Ágatha Félix (a menina de oito anos morta em setembro com tiro disparado em favela carioca) e a jovem ativista sueca Greta Thunberg, potencializando a força dessa canção que prega a liberdade e o poder feminino.

A vocalista Juliana Strassacapa prega a liberdade feminina ao cantar 'Triste, louca ou má' no show de Francisco, El Hombre no Rock in Rio — Foto: Marcelo Brandt / G1
A vocalista Juliana Strassacapa prega a liberdade feminina ao cantar ‘Triste, louca ou má’ no show de Francisco, El Hombre no Rock in Rio — Foto: Marcelo Brandt / G1

A música Triste, louca ou má teve foi apresentada por Juliana com a adesão sutil de Catalina García, vocalista de Monsieur Periné, banda colombiana que abriu o show e logo se integrou com Francisco, El Hombre. Músicas em espanhol como Bailar contigo (2018) evidenciaram a latinidade sedutora dessa banda de sons afro-colombianos.

Sopros bafejaram o suingue do som de Monsieur Periné, grupo que se afinou com o discurso engajado de Francisco, El Hombre e também conquistou o público, escorado na presença cativante da vocalista Catalina García.

No arremate do show, já dominando o palco, Francisco, El Hombre enfatizou a pegada eletrônica do segundo álbum da banda, Rasgacabeza (2019), lançado em março, e sinalizou no Rock in Rio 2019 que o grupo está pronto para ocupar a linha de frente do universo pop brasileiro nos vindouros anos 2020.