Atriz comemora prêmio conquistado por 'Malhação: Viva a Diferença' e aguarda nova série com as protagonistas da novelinha. Ao G1, ela fala sobre empoderamento e carreira.

“Nunca imaginei, lá em Minas, que com 23 anos ia poder dizer isso”. O “isso” citado pela atriz nascida em Ipatinga é o fato de fazer parte de dois projetos vencedores do Emmy Internacional Kids.

Em 2014, Ellen celebrou o primeiro quando “Pedro & Bianca”, da TV Cultura, venceu a categoria Melhor Série Infanto-juvenil. Cinco anos depois, ela celebra a conquista na mesma categoria com “Malhação: Viva a Diferença”, novela na qual interpretou Ellen.

A personagem era uma das Five, time de amigas formado pelas personagens de Heslaine, Gabriela Medvedovski, Daphne Bozaski, Ana Hikari e Manoela Aliperti.

“Estou muito feliz, realizada. Esse prêmio mostra que nossa arte está sendo reconhecida lá fora. Ainda mais no momento em que a gente está vivendo. Às vezes, a gente não reconhece, não valoriza, o que está dentro de nosso país”, diz Heslaine ao G1.

Grupo de zap das Five

A atriz conta que as cinco protagonistas da novela não perderam o contato após o fim das gravações. As meninas têm um grupo no WhatsApp para trocar ideias, marcar encontros e falar de novidades, como uma nova série das Five.

Detalhes sobre a obra ainda não foram anunciados. “Adoraria saber! Se souber, por favor me diga”, brinca ela. “A única coisa que a gente sabe é que será com as cinco [personagens] e que será num futuro próximo”.

Elenco de 'Malhação - Viva a Diferença' — Foto: Divulgação/Globo
Elenco de ‘Malhação – Viva a Diferença’ — Foto: Divulgação/Globo

Heslaine encarou quatro anos de testes até conseguir ser convocada para a novela. “Malhação tem tradição, então todo mundo quer fazer. Eu nem estava esperando passar, porque a concorrência era muito grande.”

Anos antes, enfrentou o desafio de convencer sua família a acreditar em seu sonho e deixar Minas Gerais, seguindo para o Rio de Janeiro. Heslaine tinha 10 anos e embarcou para a cidade carioca com os pais e o irmão, Luan Vieira, também ator.

“Quando eu vi a Taís Araújo na ‘Cor do Pecado’, eu falei para minha avó: Quero ser igual a essa moça”.

A atriz já teve a oportunidade de contar para Taís que ela foi sua inspiração na carreira. “Fiz cinco diárias – no ar foi muito menos – de ‘Mister Brau’. Aí encontrei ela. Me realizei ali. Trabalhar com a pessoa que me inspirou me deixou muito emocionada. E ela foi super carinhosa e atenciosa. Quem sabe um dia faço uma novela com ela,”

Outro sonho da atriz é com foco em pessoas que desejam viver da arte, mas por falta de oportunidade, precisam passar por cima da meta.

“Minha vontade um dia é abrir uma escola gratuita para artistas praticarem sua arte, desde dança, canto e teatro. Eu consegui bolsa quando vim de Minas. Não teria condição de pagar os cursos, muito caros.”

Heslaine Vieira é Alicia no filme "Derrapadas" — Foto: Divulgação
Heslaine Vieira é Alicia no filme “Derrapadas” — Foto: Divulgação

Entre os últimos papéis de Heslaine, dois são de uma jovem empoderada. Ellen, de “Malhação”, e Alicia, de “Derrapadas” (filme ainda sem data de lançamento) têm essa característica em comum com Heslaine.

“Dizem que mulher negra já vem por si só assim. Já nascemos empoderadas, nos colocando na sociedade.”

Uma das lutas de Heslaine é afastar o preconceito dos bastidores na hora da escolha do elenco nas produções audiovisuais:

“Minha pergunta sempre é: por que nos testes sempre vem menina branca e menina negra e não só meninas? Por que nós não temos só personagens?”

“Quando abrirmos os olhos nesse sentido e procurarmos atores competentes, que possam contar a história e olharmos menos os perfis, teremos mais pessoas contando histórias. A gente pode escolher bons atores pra interpretar bons papéis e ver o que sai disso”.

Mergulho nas personagens

Para sua participação de “Carcereiros”, ela emagreceu dois quilos e se privou de banho quente e celular. Para a Alícia de “Derrapadas”, a atriz se afastou da academia e voltou a ler revistas adolescentes.

“Levo muito a sério meus personagens, a contar histórias. Essas pessoas existem de fato em cada um de nós.”

Mas será que algo desse estudo de personagens afeta a atriz na vida real? No caso de seu trabalho em “Carcereiros”, isso aconteceu. Ela viveu uma presidiária:

“Mexeu muito comigo. Quando entrei no set, senti uma energia bem forte. Fiquei sensibilizada. Era a primeira vez que iria fazer uma mãe que não tem seu bebê. Ela morre sem ver o bebê. Como essa dor vem pra dentro da gente… Senti muito”.

Em “Derrapadas”, ela interpreta uma jovem adolescente que engravida do namorado:

“Quando fiz a cena do parto, achei que seria difícil, mas foi a realização da vida. Senti que pari mesmo. Falei para meu namorado: ‘agora podemos esperar uns bons dez anos [pra ter um filho], porque agora já pari. Quero muito ser mãe, mas estou muito focada na minha carreira agora.”

Outro trabalho de Heslaine que chega aos cinemas no segundo semestre é “Os Parças”. Foi a primeira experiência da atriz na comédia.

“Amo contar histórias. Gosto bastante do denso, acho que conto um pouco melhor. Tendo a ter mais facilidade. Com humor é muito difícil, mas fiz um curso de comédia. É importante a gente sempre investir no nosso trabalho e ficarmos mais atentos”.

Heslaine Vieira com Whindersson Nunes durante a gravação de "Os Parças 2" — Foto: Divulgação
Heslaine Vieira com Whindersson Nunes durante a gravação de “Os Parças 2” — Foto: Divulgação