Disco inclui duas parcerias póstumas dos compositores com João Nogueira.

“Sou brasileiro”. Afirmativo, o verso inicial do Samba pra Darcy Ribeiro abre o álbum Lágrimas e de certa forma sintetiza com orgulho o universo musical deste disco que o cantor, compositor e violonista fluminense Lucas Bueno assina com o compositor Paulo César Feital.

Feital é letrista carioca que ecoa influências dos estilos originalíssimos dos craques Aldir Blanc, Nei Lopes e Paulo César Pinheiro na escrita de versos que, não raro, embutem citações nominais de ícones da música brasileira.

Bueno e Feital são os autores das dez músicas que compõem o repertório nacionalista de Lágrimas, disco (recém-lançado no formato de CD) pautado por ritmos como samba, choro e marcha-rancho.

Duas dessas músicas, o baião Pão com goiabada e o jongo Setembrina, também trazem a assinatura póstuma de João Nogueira (1941 – 2000) porque foram finalizadas a partir de fragmentos de músicas inacabadas da lavra desse bamba carioca projetado na década de 1970.

Entre as citações da letra de Colombinas de Vila Mimosa e o toque do violoncelo de Federico Puppi em Anjo torto, o álbum Lágrimas escorre a verborragia de É foda, uma das três músicas gravadas com a adesão vocal da cantora Nina Wirtti, também convidada de Cambucá e de Palhaços.

Também requisitado pelos anfitriões, Moyseis Marques cai no já mencionado Samba para Darcy Ribeiro, cuja letra embute versos – “Sob o céu desse cruzeiro / É preciso resistência / Em solo brasileiro” – que sintonizam o disco Lágrimas com o atual momento do Brasil em conexão fortalecida pela expressiva capa do CD.