Cantor de 12 anos dançava em apresentações do irmão, mas seu sonho era cantar. Com sucesso e shows semanais, comprou casa para a família.

Mc Caverinha tem 12 anos e história de superação — Foto: Divulgação
Mc Caverinha tem 12 anos e história de superação — Foto: Divulgação

“Aí um dia eu cheguei no ouvido dele e falei: ‘Agora eu quero cantar, não quero mais dançar para você'”. Foi essa frase que mudou a vida de Kauê de Queiroz Benevides Menezes aos quatro anos. Ele dançava enquanto o irmão, Kaique, cantava funk na abertura de um show do Lucas Lucco em Ferraz de Vasconcelos (SP) em 2012. De lá pra cá, aconteceu quase tudo:

  • A família foi despejada e teve a casa demolida em 2017;
  • Ele lançou músicas de funk no Facebook e recebeu enxurrada de críticas;
  • Mudou para o trap e conseguiu emplacar o primeiro hit aos 11 anos;
  • Comprou uma casa nova para a família e gravou com seu maior ídolo.

Hoje, Kauê tem 12 anos; nome artístico, Mc Caverinha; 1,5 milhão de seguidores no YouTube, 752 mil ouvintes mensais no Spotify e um cachê de cinco dígitos.

Por telefone, Caverinha conta ao G1 como deu uma guinada na vida da família e se proclamou o “príncipe do trap” no Brasil. Ele ainda tem planos de cantar nos Estados Unidos.

Dias de luta, dias de glória

Em 2017, a família do Mc tinha trocado um carro pela entrada de uma casa própria. Mas perderam tudo. “Minha mãe e meu pai tinham comprado uma casa que não podia ser comprada. O terreno não era apropriado para morar e a gente não tinha condição de pagar a casa”, conta.

Ele se lembra com detalhes do dia da demolição. “Meu irmão e eu fomos pegar leite para tomar café da manhã. Quando voltamos, eu vi caminhão, trator e polícia lá. Falei: ‘mãe, estão chamando lá fora’. E a mulher falou: ‘Se vocês não saírem, nós vamos derrubar com vocês dentro’. A gente começou a tirar as coisas chorando.”

Depois disso, a família passou alguns meses de aluguel dentro da garagem de um barzinho no mesmo bairro. “A dona era bem chata com a gente, então eu comecei a passar tempo fora de casa”, conta. Ele passou a escrever músicas dentro de um Corsa antigo do pai, que não andava mais.

São essas experiências que inspiram o Mc. “Gosto de falar de superação, da minha família e de tudo que eu passei”. Na última sexta (2), ele contou sua história na música “Fatos reais”.

Caveirinha diz que seu objetivo é mostrar para meninos como ele que sonhos se realizam. Graças à música, conseguiu realizar o dele e o da família. Com só 12 anos, comprou uma nova casa em um condomínio em Mogi.

Antes da pandemia, Caverinha fazia 13 shows por semana. Em fim de semana pegado, já acumulou 5 na mesma noite. “Saía de um e já ia para o outro. No último show, ficava rouco, não conseguia mais cantar. Eu dava a vida. Nem que eu dublasse, fazia o show”, conta empolgado.

Desde 2019, trocou o irmão por uma produtora para que pudesse retomar a carreira interrompida. “Ele deixou de viver a vida dele para correr comigo. Agora ele começou a estourar também e vai cada um para o seu lado”, diz. O menino é 100% família. Leva a mãe a quase todos os shows e sempre fala dela no palco.

Chama no trap

Para acompanhar o irmão, Caverinha começou a tentar carreira no funk, mas não conseguia emplacar. Sem entender inglês, ele ouvia músicas dos Estados Unidos e prestava atenção, principalmente, nas batidas. Foi assim que descobriu o trap e tomou outra decisão que mudou sua vida.

“Antes, eu só gostava de artistas lá de fora. Então eu vi um estilo novo de trap, cheguei no meu irmão e falei: ‘não quero mais cantar funk’. Eu peguei uma música que tinha feito em funk [‘Chama no money’] e fiz virar trap, acelerando os versos. Então mudei tudo que tinha feito e foi quando ‘Não pisa no meu boot’ estourou”, conta.

Essa é a música de maior sucesso dele, com mais de 30 milhões de visualizações no YouTube.

Caverinha ainda se inspira no trap estadunidense mesmo sem compreender o que falam. “Eu olho toda hora para ver se saiu música nova. Os caras de lá são referência para mim. Mas não sei falar inglês. Vou aprender porque vai que eu tenho um show lá e não sei falar nada, não sei cantar?”, ele diz rindo.

Sua maior inspiração gringa é Roddy Ricch. Já aqui no Brasil, ele só tem olhos para o rapper mineiro Djonga. “Até em uma entrevista que me perguntaram três artistas que tinha vontade de gravar, respondi: Djonga, Djonga e Djonga. Eu ficava repetindo isso toda hora, até que um dia deu certo.”

O menino não tem vergonha e chama os ídolos para fazer parcerias. Já gravou com Djonga, Dexter e Alok. Agora, neste momento de pausa forçada, ele aproveita para jogar videogame, estudar em casa e rumos da carreira em 2021 com novos feats, shows e um objetivo: “voar cada vez mais alto”.