Pablo Hasel foi condenado em 2018 e deveria se entregar à polícia. Ele, no entanto, se refugiu no prédio de uma universidade no norte da Espanha. O caso levantou uma polêmica sobre a liberdade de expressão no país.

Pablo Hasel é detido pela polícia, em 16 de fevereiro de 2021 — Foto: Lorena Sopena/Reuters
Pablo Hasel é detido pela polícia, em 16 de fevereiro de 2021 — Foto: Lorena Sopena/Reuters

Policiais da Espanha invadiram uma universidade em Lleida e prenderam um rapper que foi condenado por ter escrito músicas em que insultava a família real e, de acordo com a sentença, glorificava o terrorismo.

Pablo Hasel, o rapper preso nesta terça-feira (16), deveria ter se apresentado à polícia na semana passada para cumprir uma pena que havia sido imposta em 2018. O caso levantou uma polêmica na Espanha. O governo afirmou que vai ampliar as leis de liberdade de discurso.

Na segunda-feira, Hasel se refugiou na universidade em Lleida com um grupo de apoiadores. Houve um pequeno confronto com a polícia na manhã desta terça-feira. O grupo de Hasel jogou cadeiras e jatos de extintores de incêndio nos policiais.

Hasel foi condenado por letras e tuítes que incluíam referências ao grupo paramilitar separatista ETA, comparava juízes a nazistas e chamava Juan Carlos, o rei que abdicou em 2014, de líder de uma máfia.

Paradeiro no monarca emérito ainda é mistério.

“A vitória será nossa. Sem esquecimento nem perdão”, disse ele ao ser preso. Horas antes, ele publicou em uma rede social as letras de músicas e textos que resultaram em sua condenação.

Mais de 200 artistas assinaram um documento contra a prisão do rapper, entre eles o diretor de cinema Pedro Almodovar, o ator Javier Bardem e o cantor Joan Manuel Serrat.

O governo espanhol afirmou, na semana passada, que vai mudar a lei de 2015 que criminaliza a glorificação de grupos armados como o ETA e insultos à monarquia e às religiões.

Com a reforma, as penas serão mais leves, e só haverá ação legal se houver risco à ordem pública ou provocar condutas violentas.

O ETA foi dissolvido em 2018, depois de quatro décadas de campanhas violentas pela independência do País Basco, uma região no norte da Espanha.