Flayslane, Flávia Pavanelli e Gabi Prado fizeram ou revelaram procedimentos estéticos durante a quarentena e aumentaram buscas por cirurgias na internet.

Flávia Pavanelli, Flayslane, Bianca Andrade Kylie Jenner e Gabi Prado — Foto: Reprodução/Instagram
Flávia Pavanelli, Flayslane, Bianca Andrade Kylie Jenner e Gabi Prado — Foto: Reprodução/Instagram

Rolar o feed do Instagram pode despertar uma sensação de déjà vu constante: “eu já não vi esse rosto antes?”

Recentemente, três procedimentos chamaram a atenção e repercutiram nas redes sociais: a rinoplastia de Flayslane, cantora e ex-BBB, e os foxy eyes (técnica para alongar os olhos) de Flávia Pavanelli e Gabi Prado, influenciadoras digitais.

Após as revelações, as buscas no Google saltaram: a procura por rinoplastia aumentou 78% e a busca por foxy eyes atingiu o pico no país, com aumento de mais de 1.250%.

Mexer no nariz ou no olho faz parte de um pacote de mudanças estéticas feitas por celebridades e influenciadores nos últimos três anos para atingir um padrão novo e globalizado de beleza. O resultado é um rosto padronizado com uma ou mais dessas características:

  • Olhos amendoados
  • Nariz fino e arrebitado
  • Maçã do rosto saltada
  • Bochechas com entrada
  • Boca volumosa
  • Maxilar definido

As mulheres não as únicas que fazem harmonização e uniformização do rosto. Homens costumam recorrer a procedimentos para preencher e definir maxilar, modelar o nariz e alongar o queixo. Entre os famosos que fizeram, estão o DJ Alok, o ex-BBB Lucas Gallina e o influenciador Carlinhos Maia.

Alok, Carlinhos Maia e Lucas Gallina — Foto: Reprodução/Instagram
Alok, Carlinhos Maia e Lucas Gallina — Foto: Reprodução/Instagram

Para dar volume à boca e modelar rosto e maxilar, costuma-se fazer preenchimentos com ácido hialurônico. E para o nariz, rinoplastia ou rinomodelação, também feita com preenchimento. O preço final das mudanças vai depende do número de seringas do produto necessárias para obter o resultado. Para ter os “olhos de raposa”, há técnicas que levam músculos da face com fios absorvíveis pela pele

Os procedimentos têm preços muito variados de acordo com a região da clínica ou a fama do profissional. Dermatologistas, dentistas e esteticistas são os profissionais que mais fazem harmonizações.

De onde vem esse padrão?

Kylie Jenner — Foto: Reprodução/Instagram
Kylie Jenner — Foto: Reprodução/Instagram

Desde 2018, rostos com essas características começaram a se popularizar. Ninguém sabe ao certo qual foi o marco zero do atual padrão beleza, mas todo mundo parece concordar que as irmãs Kardashian e Jenner são o grande expoente desse “rosto de influenciadora”.

As irmãs são ícones de moda e beleza algumas das arrobas mais seguidas do Instagram: até junho, Kim Kardashian e Kylie Jenner estavam entre as dez pessoas com mais seguidores. Os números ajudam a explicar por que seu padrão de beleza se universalizou.

As características dele misturam traços de diversas etnias, como olhos puxados, lábios grossos e nariz arrebitado. A cirurgiã plástica Cintia Benedicto Zandoná e a dermatologista Simone Neri, que trabalham com harmonização facial, concordam que a globalização e a internet têm dedo nisso. “A internet difundiu globalmente os ideais de beleza locais e induziu a um modelo global”, diz Zandoná.

Segundo as médicas, mesmo em um procedimento massificado como a harmonização facial, é possível ter resultados que respeitem particularidades dos pacientes. Para isso, o médico tem de avaliar a estrutura facial da pessoa e pensar em mudanças que possam conservá-la.

Por isso, e por serem consideradas técnicas pouco invasivas, se tornaram tão populares. Além disso, o resultado tem duração média de um ano. Então, é “reversível”.

Segundo o último censo de cirurgia plástica e procedimentos estéticos feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, referente a 2018, o número de procedimentos não cirúrgicos (como os preenchimentos) cresceu muito e passou a representar 50% dos movimento estético. No ano, cada um dos segmentos passou de um milhão de procedimentos.

Ao longo dos anos, a porcentagem de homens que procuraram serviços aumentou: foi de 15,8% em 2014 para 20,6% em 2018.

Filtros de Instagram, mudança real

Filtros no modo Stories do Instagram — Foto: Divulgação/Instagram
Filtros no modo Stories do Instagram — Foto: Divulgação/Instagram

É difícil achar quem não ficou tentado a experimentar pelo menos uma vez como o rosto ficaria com um filtro do Instagram. Brincar e se sentir um pouco mais bonito é inofensivo. Mas médicos e psicólogos apontam para um efeito colateral de se ver diferente do que se é.

Cirurgiões plásticos do Brasil e dos Estados Unidos dizem que tem aumentado o número de pacientes que chegam a seus consultórios querendo reproduzir exatamente o efeito do filtro sobre o rosto.

O efeito dos filtros também já chega ao mercado. A marca de beleza coreana Soko Glam já lançou um produto chamado “creme filtro”, que ilumina a pele simulando alguns dos filtros de beleza da rede social. Julia Cura, especialista da consultoria de tendências WGSN, afirma que os usuários de redes sociais ficaram acostumados a uma estética “surrealista” e isso deve se refletir na criação de mais produtos que criem efeitos parecidos.

A assessoria do Instagram afirma que está sempre de olho nos produtos da rede social que possam causar desconforto em seus usuários. E, em novembro de 2019, baniu os efeitos de cirurgia plástica da rede social. Mas a categoria aparência ainda tem filtros de efeitos semelhantes a procedimentos.

Segundo a assessoria, tanto efeitos quanto conteúdos publicitários associados a cirurgia plástica podem ser reportados à plataforma para que sejam removidos.

Beleza pós-quarentena

Os especialistas ouvidos pela reportagem concordam que este modelo de beleza será substituído em breve. Não só porque padrões costumam mudar ao longo do tempo, mas porque a pandemia e os meses dentro de casa de cara lavada tendem a alterar a relação das pessoas com beleza.

Durante a quarentena, o foco do consumo de beleza passou da maquiagem para produtos de tratamento da pele e consolidou esse tipo de produto no mercado.

A venda de itens de skincare (tratamento de pele) vinha crescendo desde 2019: enquanto esses produtos tiveram um aumento de 16% nas vendas naquele ano, outros cosméticos registraram aumento de apenas 3%, segundo levantamento da consultoria WGSN.