Trabalho '10:39' será lançado nesta quarta-feira (14) e inclui gravações de 'Piloto Automático', de Supercombo, e 'Lua Cheia', de 5 a Seco. Cantora fala sobre clipes e sequência da carreira solo.

Sandy durante show da turnê 'Nossa História', em SP — Foto: Fábio Tito/G1
Sandy durante show da turnê 'Nossa História', em SP — Foto: Fábio Tito/G1

Uma jornada por três canções durante dez minutos e 39 segundos condensa parte dos sentimentos da cantora Sandy na pandemia do novo coronavírus e um desejo que vai além de uma “licença poética” no ano em que completa uma década de carreira solo: se “traduzir em música” para sensibilizar fãs com uma mensagem que sobrepõe empatia e gratidão aos discursos de ódio. Com nome inspirado na duração do trabalho, o EP “10:39” será lançado em uma plataforma de músicas a partir da meia-noite desta quarta-feira (14) e reúne, além de nova versão de “Tempo”, releituras de “Piloto Automático”, de Supercombo, e “Lua Cheia”, de 5 a Seco, e se destaca por clipes onde ela se emociona.

Sandy explicou que o novo trabalho é um momento único de expressão durante transmissão restrita a jornalistas, na noite desta terça-feira (13). Segundo ela, as três canções permitiram que ela se sentisse “completa e suficiente” ao tentar retratar não somente as adversidades do momento, mas esperança.

“Senti nessas músicas aquilo que eu queria dizer, me tocaram de um jeito diferente […] Quis me expressar considerando o sentimento das pessoas”, ressaltou.

A cantora destacou que os clipes foram gravados no haras de um amigo, em Itatiba (SP), mas a sensação transmitida aos fãs é de que, em alguns momentos, ela está em uma floresta. Em um deles, a cantora vai às lágrimas e afirma que não precisou de outras referências para se emocionar.

 

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Pra mim, como artista, seria impossível passar por esse período sem ser afetada de alguma maneira. A nossa profissão é toda baseada na nossa capacidade (ou necessidade) de expressar o que a gente sente em forma de arte. Mas, por algum motivo, quando eu pensava em compor, parecia que eu não conseguia ser completamente sincera ou suficiente. Quando a gente escreve com um assunto em mente, a gente se limita um pouco, e eu não queria, de maneira alguma, me apoiar em clichês ou correr o risco de soar minimamente oportunista. Por outro lado, acho que a arte, em suas diversas formas, ajudou a preservar um pouco a sanidade de muita gente durante esse ano, e comigo não foi diferente. Filmes, séries, músicas, livros, artes plásticas… me tocaram de um jeito indescritível e que ajudou a acalmar o coração em diversos momentos. E algumas canções específicas que eu já amava há muito tempo, de repente, se mostraram pra mim com um sentido completamente novo e inesperado. Assim nasceu a necessidade de fazer esse EP. “Piloto Automático”, da banda Supercombo, que conheci quando fui jurada do programa Superstar, “Lua Cheia”, da banda 5 a Seco da qual sou fã há anos e “Tempo”, que gravei no meu álbum de estreia da carreira solo, redescobri e que, nesse momento, tomou um tamanho muito maior do que tinha quando a compus, 11 anos atrás. Três músicas que viraram uma só, que se confundem uma com a outra, assim como as horas, os dias e os meses desse ano maluco. Produzi em casa, com a família e com poucos músicos que gravaram à distância suas lindas participações. Para ilustrar essas canções, chamei um artista que conheci e por cujo trabalho me encantei durante esse período, chamado Thainan Castro, que me presenteou com essa obra tão sensível, delicada e simbólica. Quando liguei pra meu amigo Douglas Aguillar (que me acompanhou e registrou todo o meu “ano de Sandy e Junior”) pedindo pra ele me ajudar a traduzir essas músicas em imagens, fomos à fazenda onde trabalha um amigo de infância e filmamos não um clipe, mas um sentimento, uma alegoria -> continua nos comentários <-

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“Era impossível não viver aquilo que estava cantando. Não precisei buscar fora de qualquer lugar dali, somente nas músicas que estava interpretando”, falou ao destacar que os vídeos foram gravados em dois dias e a composição também buscou aprofundar sentimentos e ter uma licença-poética ao apresentar as músicas com “um jeitão diferente” e o momento é visto como exceção na trajetória.

A proposta dela é para que fãs ouçam as músicas e assistam aos clipes em sequência, ainda que todos possam ser conferidos individualmente quando o material for divulgado.

“Eu fiz com a intenção de que vissem os três clipes juntos, escutasse na sequência e por isso chama 10:39 […] É uma unidade”, contou a artista.

Sandy destaca novo EP durante transmissão — Foto: Reprodução / Zoom
Sandy destaca novo EP durante transmissão — Foto: Reprodução / Zoom

Próximos passos

Sandy adianta que novos projetos da carreira solo devem ficar para 2021 e o EP é uma forma de se aproximar dos fãs em um ano simbólico.

“Como é o momento que faço dez anos da carreira, ele pode ser encarado como um projeto especial, simbólico, sou uma pessoa que me expresso plenamente nos trabalhos, coloco minha alma, só sei fazer assim, ele é muito eu e me representa”, falou a artista que em 2019 realizou a turnê “Nossa História”, ao lado do irmão Júnior. A cantora evita descortinar detalhes dos próximos passos.

“Eu ia fazer uma turnê um pouco diferente [neste ano] porque teria outras músicas, pretendia lançar músicas inéditas, vou retomar depois. É um projeto para o ano que vem.”

Conexões e ‘olhar amoroso’

Além de um caráter atemporal das letras e possibilidade de expressar sentimentos, tal como propõe na nova versão de “Tempo”, Sandy diz que outros fatores foram relevantes para as escolhas.

No caso de “Piloto Automático”, de Supercombo, a cantora falou da importância sobre criar conexões e lembrou da passagem como jurada do programa SuperStar, da TV Globo, após sair da licença-maternidade.

“Eu criei muitas conexões, eu procuro estar presente nas coisas. Por onde passo, eu crio, vejo com quem me identifico e trago aquilo que me completa de alguma maneira, acrescenta”, ressaltou.

Já com “Lua Cheia”, da banda 5 a Seco, Sandy traz à tona a importância de valorização de sentimentos positivos em um momento que, segundo ela, tem sido marcado por discursos de ódio. Ouça abaixo as três canções do novo EP.

“É um olhar mais amoroso com quem está ao nosso redor, ter empatia. Saber que, mesmo que ela está sendo chata, boba, sei lá, de uma maneira ignorante, tem que olhar e falar: ‘É uma dificuldade que ela tem’. A gente tem que empatizar e entender as dificuldades. Não sair vomitando ofensas, tem que ajudar as pessoas […] ter empatia, olhar amoroso.”

Sandy durante show da turnê 'Nossa História', em SP — Foto: Fábio Tito/G1
Sandy durante show da turnê ‘Nossa História’, em SP — Foto: Fábio Tito/G1