As cantoras Eliana Pittman, Claudette Soares e Doris Monteiro gravam músicas associadas ao gênero surgido na década de 1950.

Foto: Marcelo Castello Branco/Divulgação
Foto: Marcelo Castello Branco/Divulgação

Sete ou oito anos antes de João Gilberto (1931 – 2019) sintetizar a batida do samba no toque do violão, em inovação que fez toda a diferença ao ser apresentada em 1958, o gênero ganhara outra bossa nova.

Ritmo surgido no alvorecer da década de 1950, o sambalanço fez o samba cair em suingue mais envenenado e eletrificado, gerado pelos toques de instrumentos então atípicos nas rodas, como órgão e sonovox. Nomes como Durval Ferreira (1935 – 2007), Ed Lincoln (1932 – 2012), Elza Soares, João Donato, Miltinho (1928 – 2014) e Orlandivo (1937 – 2017) logo se identificaram com esse balanço diferente.

Em evidência até meados da década de 1960, período em que conviveu com a expansão da bossa nova de forma nem sempre harmoniosa, o sambalanço é o mote do roteiro do show apresentado pelas cantoras Claudette Soares, Doris Monteiro e Eliana Pittman ao longo de 2019.

Orquestrado pelo produtor Thiago Marques Luiz, o show As divas do sambalanço ganha registro fonográfico neste mês de janeiro de 2020. O show será gravado em apresentação programada para 25 de janeiro no Studio 8, na cidade de São Paulo (SP), e restrita a 60 convidados das artistas e da produção. O registro dará origem a álbum que será lançado neste primeiro semestre de 2020 pelo selo Discobertas.

Eliana Pittman, Claudette Soares e Doris Monteiro em cena no show 'As divas do sambalanço' — Foto: Marcelo Castello Branco / Divulgação
Eliana Pittman, Claudette Soares e Doris Monteiro em cena no show ‘As divas do sambalanço’ — Foto: Marcelo Castello Branco / Divulgação

O disco registrará músicas inéditas nas vozes das três cantoras. Os sambalanços Bolinha de sabão (Orlandivo e Adilson Azevedo, 1963) e Samba toff (Orlandivo e Roberto Jorge, 1961) ganharão a voz de Claudette Soares.

Doris Monteiro gravará pela primeira vez Balanço zona sul (Tito Madi, 1963), Diz que fui por aí (Zé Kétti e Hortêncio Rocha, 1964) e Mancada (Gilberto Gil, 1967), músicas dissociadas do cancioneiro básico do sambalanço.

Já Eliana Pittman gravará Devagar com a louça (Haroldo Barbosa e Luís Reis, 1962), Na onda do berimbau (Oswaldo Nunes, 1965) e Tamanco no samba (Orlandivo e Helton Menezes, 1962).

Juntas, as cantoras unirão vozes e forças no registro de músicas como Mas que nada (Jorge Ben Jor, 1963) e Sambou, sambou (João Donato e João Mello, 1964).