Projetado no início dos anos 1960, artista deixa obra fincada no terreno da música sentimental.

“Quem é / Que não sofre por alguém? / Quem é / Que não chora uma lágrima sentida? / Quem é / Que não tem um grande amor / Quem é / Que não chora uma grande dor?“.

Feitas no ritmo do bolero, essas perguntas tristes ecoaram em vozes robustas como as dos cantores Agnaldo Timóteo e Gregorio Barrios (1911 – 1978).

Mas o compositor e intérprete original da música Quem é foi Silvio de Lima (5 de dezembro de 1931 – 2 de novembro de 2019). Silvinho, como o cantor fluminense ficou conhecido nos anos 1960, compôs Quem é em parceria com Maurílio Lopes.

O bolero Quem é alavancou no início dos anos 1960 a carreira desse cantor em quem foi cunhado o epíteto genérico O rei do bolero e da seresta.

Revelado nos anos 1950 em conjuntos vocais como Os Trovadores e Trio Quitandinha, Silvinho morreu na madrugada de sábado, 2 de novembro, em Petrópolis (RJ), onde residia e onde foi enterrado no mesmo dia da morte, ocorrida a pouco mais de um mês de o artista fazer 88 anos.

O período áureo da carreira de Silvinho no Brasil aconteceu na primeira metade dos anos 1960. No embalo do êxito de Quem é, música gravada em 1961 e incluída no primeiro álbum do artista, A revelação: Silvinho (1962), o cantor lançou LPs como O sucesso: Silvinho (ainda em 1962), O ídolo do Brasil (1963) e Nos degraus da fama (1964).

Curiosamente, o segundo maior sucesso de Silvinho – a foliã Marcha da coroa (1962), composta pelo artista com Carvalhinho e Jair Maia – aconteceu fora da seara sentimental do bolero e das serestas, tendo sido lançado para o Carnaval de 1963.

Como muitos artistas desse segmento mais popular, Silvinho atuou também em mercados afins como os da Argentina, Chile, México e Uruguai, favorecido pelo fato de a língua sentimental do bolero ser de domínio universal.