Ocorrida na manhã de sexta-feira (21), na cidade de São Paulo (SP), a morte do maestro mineiro Silvio Baccarelli (23 de setembro de 1931 – 21 de junho de 2019) – a três meses de o artista completar 88 anos – evidencia o legado humanista do criador da Orquestra Juvenil Heliópolis, em cena desde 2009 com cerca de 60 jovens instrumentistas.

Esse legado social ficou evidente nos últimos 20 anos da longa trajetória desse maestro que se iniciou na arte musical em 1943, aos 12 anos, quando ainda estudava para ser padre, carreira da qual desistiria em favor da devoção à deusa música.

Aos 15 anos, ele já regia um coro. Aos 29 anos, em 1960, Baccarelli fundou o Coral Clássico e Folclórico de São Paulo, rebatizado como Coral Baccarelli 20 anos depois, em 1980.

Mas foi em 1996, já na maturidade, que Baccarelli desenvolveu o legado para o qual será mais lembrado. Sensibilizado pelo sofrimento provocado por incêndio na comunidade paulistana de Heliópolis, o maestro iniciou trabalho voluntário na região, dando aulas de música para crianças e adolescentes da comunidade.

Foi plantada ali a semente da Orquestra Juvenil Heliópolis e do Instituto Baccarelli, criado para oferecer educação musical gratuita a jovens da região. Com sede própria desde 2008, o projeto social deu fruto e reconhecimento a Baccarelli pelo trabalho humanista de inclusão social feita através da música erudita.

Ao longo dos 76 anos de atividades musicais, Silvio Baccarelli deu exemplo que merece ser seguido.